APRESENTAÇÃO

A pergunta sobre a vocação costuma assustar e até incomodar não poucas pessoas. Na linguagem corrente é habitual achar-se que só uns poucos “têm vocação”, poucos são os “eleitos” por Deus para uma vida consagrada a Ele de uma forma radical. E forma de vida não só radical como normalmente vista como uma limitação, ao ler-se a consagração religiosa pela negativa: não se pode casar (o voto de castidade), nem desfrutar dos bens (o voto de pobreza), nem fazer o que se quer (a obediência).

No entanto, a clarificação desta questão começa pela referência ao facto de que todos temos “vocação”! Pois vocação vem do latim vocare (chamar), e cada um de nós é “chamado” por Deus a ter uma vida realizada, “em abundância”. Alguns como consagrados, é certo. Mas muitos outros como solteiros ou casados, como pais e avós, como profissionais empenhados naquilo em que trabalham, como membros de uma família, de um grupo concreto, ou de uma comunidade social e eclesial. É neste sentido que todos temos vocação, já que todos somos convidados a viver uma vida plena, onde quer que ela se realize.