CONFIAR EM DEUS

Se o processo de discernimento é “escuta”, então torna-se essencial a confiança n’Aquele a quem escutamos, Deus e a sua vontade. Falar na “vontade de Deus” traz sempre o perigo de vê-la como predestinação ou imposição, a ser aceite com resignação ou por receio. Mas isso significaria imaginar Deus como um “tirano”, imagem afinal muito distante da do “Pai próximo” a que Jesus se referia constantemente. Um Deus-Pai que nos quer dar “a vida em abundância”, com ânimo e alegria interior (por isso a palavra “entusiasmo” significa, na sua origem etimológica, “estar habitado por Deus”).

Também a fé, no sentido mais original hebraico, não é um conjunto de crenças ou de conhecimentos, mas é confiança, confiança na promessa de Deus. Deus não promete que a vida será sempre fácil, mas que sempre nos acompanha e anima, nas alegrias e nas dificuldades. Visto desta forma, o que se opõe à fé não é o ateísmo, mas o medo, o receio do que nos pudesse acontecer se Deus nos deixasse sós. Mas “Deus é mais íntimo do que o nosso próprio íntimo” (Santo Agostinho), e foi essa confiança que permitiu a São Paulo escrever que “nada nos separará do Amor de Deus”.